A desigualdade não apenas agrava os efeitos das pandemias, mas também dificulta seu controle, afirma novo relatório da Unaids debatido na AIDS 2026. Entre as propostas estão a flexibilização de patentes e a ampliação da produção de medicamentos nos países do Sul Global
The post Stiglitz: desigualdade e pandemias, um ciclo vicioso appeared first on Outras Palavras.
A desigualdade não apenas agrava os efeitos das pandemias, mas também dificulta seu controle, afirma novo relatório da Unaids debatido na AIDS 2026. Entre as propostas estão a flexibilização de patentes e a ampliação da produção de medicamentos nos países do Sul Global
Publicado 03/08/2026 às 17:55 - Atualizado 09/08/2026 às 23:19
Imagem: Getty Images
De segunda a sexta, às 7h, as principais notícias de Saúde em seu email
Para superar o HIV/aids, novas tecnologias e medicamentos para prevenção e cura são de extrema importância, e segue urgente a luta para que sejam distribuídos para todos. Mas, durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), uma sessão especial abordou um outro aspecto menos debatido: sem combater a desigualdade, essa e outras pandemias não serão superadas.
Na mesa estavam presentes alguns dos responsáveis pelo relatório Rompendo o ciclo da desigualdade-pandemia, lançado pela Unaids no final de 2025: Joseph Stiglitz, Nobel de economia e professor da Universidade Columbia, Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde do Brasil, Matthew M. Kavanagh, conselheiro especial do diretor executivo da Unaids e Javier Padilla, do Ministério da Saúde da Espanha.
Imagem: Outra Saúde
A correlação entre maior índice de desigualdade e mortes na pandemia de covid está registrada em diversos gráficos que aparecem no relatório – não só entre países, mas também há diferenças dentro deles, em regiões onde há populações mais ou menos vulneráveis. Isso significa, portanto, que o mundo torna-se cada vez mais perigoso, uma vez que a desigualdade global aumenta a cada ano. Segundo dados citados por Stiglitz, enquanto o 1% mais rico do planeta detém 41% da riqueza total, os 50% mais pobres acessam apenas 1% dela.
“Enquanto a desigualdade torna as pandemias mais persistentes, as pandemias atingem os mais pobres com mais força, aumentando assim a desigualdade”, sintetizou o economista. Essa dinâmica age de forma contraintuitiva: a pandemia de covid mostrou que os países supostamente mais bem preparados para lidar com a doença não foram os que tiveram melhores resultados sanitários. Um exemplo: segundo padrões internacionais, os Estados Unidos poderiam oferecer uma resposta robusta à crise – mas figuram entre os países que mais sofreram com ela.
Pensando em como lidar com esses problemas de forma mais satisfatória, Kavanagh citou a importância dos programas de transferência de renda. Em pandemias como a de covid, por exemplo, em que é necessário distanciamento social para conter a disseminação do vírus, é preciso garantir que as populações mais vulneráveis possam ficar em casa. Como aconteceu no Brasil e em muitos outros países, lembra ele, os mais pobres viram-se obrigados a sair para garantir o sustento de sua família – e, também por isso, morreram mais.
O relatório da Unaids mostra ainda que é preciso combater a desigualdade no acesso a fármacos que podem conter pandemias, e uma das medidas é a reformulação do modelo de patentes. Seus autores propõem “Renunciar automaticamente às regras globais de propriedade intelectual sobre tecnologia pandêmica quando uma pandemia for declarada”. Essa ação simples e ousada poderia ampliar o acesso, por exemplo, ao lenacapavir, medicamento de ação prolongada para a prevenção do HIV.
Nísia Trindade, em entrevista recente ao Outra Saude sobre o relatório, chama a atenção para o fato de que também é preciso expandir a capacidade dos países do Hemisfério Sul de produzir esses fármacos. “É fundamental que os países também tenham condições de produção local e regional. Principalmente no caso de produtos que levam mais tempo no desenvolvimento, como vacinas e imunobiológicos. Os países do Sul Global têm que ter condição de produzir seus fármacos”, declarou.
Sem publicidade ou patrocínio, dependemos de você. Faça parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: apoia.se/outraspalavras
| # | Наименование новости | Тональность | Информативность | Дата публикации |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Lenacapavir: o lucro vale mais que a vida? | 0 | 7.09 | 29-04-2026 |
| 2 | HIV: novo medicamento pode chegar ao SUS com “condições inaceitáveis de preço” | 0 | 6.15 | 10-08-2026 |
| 3 | Como acabar com o HIV/aids nas Américas | 0 | 7.57 | 29-07-2026 |
| 4 | Governo oferece crédito a hospitais filantrópicos com recursos do FGTS | 0 | 7.14 | 07-08-2026 |
| 5 | Dolutegravir: um monopólio sem fim? | 0 | 9.73 | 23-06-2026 |
| 6 | Lenacapavir: inovação para quem? | 0 | 9.91 | 28-07-2026 |
| 7 | Nova instância de ética em pesquisa tenta calar participação social? | 0 | 7.57 | 12-08-2026 |
| 8 | Lula participará da 2ª Conferência Livre de Saúde, no dia 28; veja programação | 0 | 7.86 | 17-08-2026 |
| 9 | Insônia: a solução não deveria estar (apenas) nos medicamentos | 0 | 7.06 | 06-08-2026 |
| 10 | Глава ВОЗ назвал "скандальным и неприемлемым" неравенство в доступе к вакцинам в мире | 0 | 0 | 04-11-2021 |