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HIV: novo medicamento pode chegar ao SUS com “condições inaceitáveis de preço”

Дата публикации: 10-08-2026 18:00:54

Acordo proposto pela GSK prevê preço elevado e quantidade insuficiente para a integração do cabotegravir ao SUS. GTPI critica a dependência do monopólio farmacêutico e defende maior uso das ferramentas de soberania sanitária
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Acordo proposto pela GSK prevê preço elevado e quantidade insuficiente para a integração do cabotegravir ao SUS. GTPI critica a dependência do monopólio farmacêutico e defende maior uso das ferramentas de soberania sanitária

Publicado 10/08/2026 às 15:00 - Atualizado 11/08/2026 às 14:10

Imagem: Gabriela Leite/Outra Saúde
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“Inovação sem acesso é injustiça.” A frase proferida pelo ministro da Saúde Alexandre Padilha reverberou na 26ª Conferência Internacional de Aids, o principal encontro para debater o combate ao HIV/aids no mundo. Foi também nesse evento, ocorrido na última semana de julho no Rio de Janeiro, que ele anunciou estar em tratativas para um acordo de compra do cabotegravir, medicamento antirretroviral injetável para prevenção (profilaxia pré-exposição, a PrEP) do HIV, com a farmacêutica que o produz, a GSK.

Na quinta-feira (6), aconteceu nova reunião da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), órgão que avalia se medicamentos, vacinas e outras tecnologias serão oferecidas gratuitamente pelo SUS. Ali, debateu-se a incorporação do cabotegravir, e algumas informações sobre o acordo entre Ministério da Saúde e GSK foram revelados. 

O preço proposto pela farmacêutica foi de R$ 1.110 por frasco (cerca de R$ 215 dólares). Por pessoa, o tratamento anual é de sete doses no primeiro ano e seis doses nos anos seguintes. No entanto, as negociações para compra preveem apenas a aquisição de irrisórias 7 mil doses, mais a “doação” de 14 mil para estudos de implementação. Quantidade muito inferior ao necessário: pelas estimativas da própria corporação, ao menos 41 mil brasileiros deveriam receber o medicamento.

“Na prática, a indústria farmacêutica apresenta a tecnologia já definindo o preço, a população e a escala de acesso, enquanto ao poder público resta administrar a escassez produzida pelo monopólio”, critica nota redigida pelo Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI) da Abia. Para a organização, “é preocupante que uma tecnologia de longa duração chegue ao debate de incorporação sem uma estratégia pública integrada para prevenção e tratamento”.

Além disso, há de se questionar o valor fechado para a compra. Enquanto o Brasil comprometeu-se a pagar US$ 1.200 dólares anuais por paciente, em certos países, a farmacêutica o oferece a um “preço de acesso” variável entre US$ 240 e US$ 276. O GTPI cita, ainda, uma pesquisa que indica que o preço de produção da versão genérica do cabotegravir é de cerca de US$ 40 dólares, e pode ser ainda mais baixo conforme o aumento da escala. Mas, com o preço acordado, “o cabotegravir acrescentaria quase R$ 1 bilhão ao orçamento em relação à PrEP oral, ainda para uma população restrita”, registra o GTPI em sua nota.

“Nosso país participa de estudos clínicos, oferece sua estrutura de pesquisa, possui uma das maiores respostas públicas ao HIV do mundo, mas é impedido de adquirir os genéricos licenciados mais baratos. Além disso, ao conceder e manter patentes sem acionar as salvaguardas disponíveis para proteger a saúde pública, o Brasil reforça o monopólio e reduz seu próprio poder de barganha”, denuncia a organização.

“O resultado”, continua o GTPI, “é a dependência do produto originador, a subordinação às condições comerciais da indústria e a renúncia à soberania sanitária”. 

A Conitec recomendou a incorporação do cabotegravir no SUS, embora a votação tenha sido apertada: foram seis votos contra, sete a favor e uma abstenção. Uma consulta pública foi aberta hoje (10) e seguirá aberta até o final de agosto, antes da decisão final do órgão. Leia aqui a nota completa do GTPI.

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