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Insônia: a solução não deveria estar (apenas) nos medicamentos

Дата публикации: 06-08-2026 20:14:23

Estudo do IPq-USP investigou o uso de medicamentos para o sono, quando é possível tratar a insônia de outras maneiras. A questão pode ser, também, estrutural, de maneira que a qualidade do descanso é afetada até mesmo pelo CEP do paciente
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Estudo do IPq-USP investigou o uso de medicamentos para o sono, quando é possível tratar a insônia de outras maneiras. A questão pode ser, também, estrutural, de maneira que a qualidade do descanso é afetada até mesmo pelo CEP do paciente

Publicado 06/08/2026 às 17:14 - Atualizado 09/08/2026 às 23:19

Foto: Ems Forster Productions/Getty Images
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Um estudo liderado pelo pelo Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de São Paulo (USP) constatou o uso disseminado de medicamentos para dormir pelos brasileiros. Os mais frequentes são os hipnóticos (usados por 44% dos participantes), como o Zolpidem, e os benzodiazepínicos (37,9%), como o clonazepam, seguidos de antialérgicos e relaxantes musculares. Esses últimos, que podem ser adquiridos sem receita médica, são usados em especial por pessoas que têm insônia ocasional.

Embora o estudo tenha seus limites, por ter sido feito por meio de questionário autoaplicado em um grupo de participantes que já estavam buscando terapia para insônia no IPq, sua relevância está em mostrar que brasileiros estão procurando nas drogas algo que poderia ser resolvido de outras formas. Os psiquiatras entrevistados pelo Jornal da USP afirmam que há terapias que são muito eficazes para tratar esse problema que afeta um a cada três brasileiros.

No entanto, é preciso levar em conta também os fatores que causam a insônia. A psiquiatra Ana Flávia Bonini, coautora do artigo, afirma: “A insônia não acontece isoladamente. Quando atendemos alguém em vulnerabilidade social, temos que levar em consideração os fatores que estão ocorrendo ali: desemprego, violência, insegurança alimentar, moradia inadequada, jornadas de trabalho intensas, tempo gasto no deslocamento, estresse crônico… tudo isso interfere diretamente na qualidade do sono”.

Embora o sono esteja escasso para pessoas de todas as origens, também há desigualdade no dormir. Outro estudo, relatado em matéria publicada no Outra Saúde, buscou entender essa realidade. Encabeçado por pesquisadores do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde da Fiocruz, eles investigaram se o local de moradia influencia na qualidade do sono da população.

A conclusão principal é de que moradores de zonas residenciais segregadas têm mais chance de dormir uma quantidade de tempo insuficiente, ter privação de sono e sonolência diurna. Entre esse grupo, 53,7% têm sono de curta duração (ante 49,6% entre o total de entrevistados) e, entre os pretos, são 58,6% os que dormem menos de 6 horas. Os moradores de bairros com piores indicadores sociais também têm mais privação de sono (53,9% ante 41,1% nos bairros mais ricos) e sonolência diurna (48,3%, enquanto 40,6% dos mais abastados).

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