Medida entra já em vigor e deve custar entre 20 a 25 milhões de euros por ano ao orçamento do município. Para beneficiar da gratuitidade é preciso ter o cartão Porto. e passar com ele por uma loja Andante ou Payshop. Viagens são ilimitadas dentro da Área Metropolitana.
O post Portuenses com transportes públicos gratuitos a partir desta sexta-feira aparece primeiro no JPN - JornalismoPortoNet.

Pedro Duarte na apresentação desta manhã. Foto: Filipa Silva/JPN
Andar de autocarro, metro ou comboio na Área Metropolitana do Porto passa, a partir desta sexta-feira, dia 10 de julho, a ser gratuito para os residentes na cidade do Porto. A medida, que tinha sido uma promessa eleitoral de Pedro Duarte, foi esta sexta-feira (10) anunciada, em conferência de imprensa, pelo presidente da autarquia.
O anúncio, que mereceu palmas dos populares que ouviam o edil do Porto junto à estação da Trindade, onde decorreu a apresentação, foi acompanhado da explicação: “Para aqueles que têm até 23 anos e que têm já hoje transportes gratuitos, não precisam de fazer nada. Com o cartão que têm hoje, podem manter a mesma circunstância”, afirmou Pedro Duarte.
“Para as pessoas que hoje já têm o cartão Porto., o que têm de fazer é dirigir-se a uma loja Andante, ou a um agente Payshop – e há dezenas e dezenas pela cidade -, para atualizarem o seu cartão”, completou o presidente da câmara.
A necessidade de passar por uma loja Andante aplica-se também àqueles que já usam o cartão Porto. como passe nos transportes. Também o chip desses cartões tem de ser atualizado.
Há ainda um terceiro grupo, que são os residentes do concelho que ainda não têm cartão Porto.. Esses têm mesmo de o pedir, uma vez que o cartão é que vai funcionar como título de transporte e é de validação obrigatória nas estações ou no interior dos veículos.
“Para quem não tem ainda o cartão Porto., tem de o pedir. Pode fazê-lo da forma mais eficaz, online, através do site cartão.porto.pt. Quem tiver dificuldades no acesso digital, poderá sempre, naturalmente, dirigir-se ao Gabinete do Munícipe, para ser apoiado nesse processo”, completou Pedro Duarte.
Além do Gabinete do Munícipe, é possível fazer o cartão Porto. noutros locais: Biblioteca Municipal Almeida Garrett; Piscina Municipal da Constituição; Piscina Municipal de Cartes; Piscina Municipal Eng.º Armando Pimentel; Teatro Municipal do Porto – Rivoli; Balcão da Habitação Acessível (Porto Vivo, SRU), na Loja de Cidadão das Antas; EcoPorto, no Ecocentro da Prelada; Gabinete do Inquilino Municipal (GIM).
As viagens serão ilimitadas e estendem-se a toda a Área Metropolitana. Incluem assim vários operadores: a Metro do Porto, os autocarros da STCP e da rede Unir, os comboios urbanos da CP e ainda o transporte fluvial.
Sobre este, serão conhecidas mais novidades na próxima semana, mas segundo apurou o JPN junto de fonte oficial da câmara os barcos vão voltar a transportar passageiros no rio Douro ainda em julho. Recorde-se que, na reunião da Assembleia Municipal do Porto de terça-feira, Pedro Duarte fez referência não só à ligação entre o Cais do Ouro e a Afurada, mas também “entre as ribeiras” das duas cidades, sem adiantar contudo mais pormenores.
Quanto ao número atual de portadores do cartão Porto., Pedro Duarte esclareceu no final que são “à volta de 60 mil” atualmente. No concelho, residiam, no final de 2025, à volta de 270 mil pessoas.
Medida “inovadora” que não é “bala de prata”A gratuitidade dos transportes foi uma das bandeiras eleitorais de Pedro Duarte, mas quando assumiu funções, o presidente da autarquia foi cauteloso sobre os prazos de implementação da medida, apontando como mais realista o cenário de entrada em vigor em janeiro de 2027.
Mas com a aprovação do contrato de parceria com a Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), em abril, ficou a promessa de que a medida poderia ser concretizada já no verão. Com a “solução tecnológica encontrada” e o aval do Tribunal de Contas – que chegou esta semana -, a autarquia decidiu avançar já.
Pedro Duarte classificou a gratuitidade dos transportes como uma medida “altamente disruptiva e inovadora no contexto nacional”, mas não tem a “expectativa” que tenha “um efeito imediato de transformação”.
“Não é uma bala de prata que vai resolver o problema. É sim uma medida importante, simbolicamente muito significativa, e que vai ajudar, do ponto de vista cultural, a mudar o paradigma”, afirmou ainda.
O autarca prometeu, por isso, “medidas acessórias” para fomentar o uso dos transportes, como o reforço da frota da STCP, a possibilidade de consulta em tempo real dos horários dos transportes e prometeu também estender em seis quilómetros os corredores BUS da cidade. “Teremos no final do ano, números redondos, 22 quilómetros de corredores BUS na cidade de Porto”, disse.
No ar, deixou a possibilidade de virem a ser adotadas medidas de desincentivo da entrada de carro na cidade do Porto. A proibição do atravessamento da VCI por pesados de mercadorias já a partir de 15 de setembro foi um exemplo apontado.
Porto avança antes dos parceiros metropolitanosQuestionado sobre se não seria preferível que esta medida avançasse de forma conjunta à escala da Área Metropolitana do Porto, integrada por 17 municípios, Pedro Duarte, que preside atualmente ao Conselho Metropolitano, sublinhou que esta é “uma competência municipal”.
O presidente da Câmara do Porto disse ainda que tem “sensibilizado” os parceiros dos outros municípios para a necessidade de apostar no transporte público e considera que há um “alinhamento” entre todos sobre o assunto, mas reconhece “que nem todos os municípios têm a mesma capacidade e condições de implementar uma medida desta natureza, desde logo, condições financeiras”, afirmou. Para o Porto, a medida deverá custar entre 20 e 25 milhões de euros por ano.
“Somos os primeiros interessados a que também nos outros concelhos haja medidas efetivas, que não prejudiquem aquilo que é mobilidade na cidade do Porto. E, portanto, estamos muito disponíveis para trabalhar com esses concelhos, para encontrarmos soluções em conjunto”, assegurou.
Taxa Turística do Porto pode aumentarOutra questão colocada ao autarca foi se a taxa turística do Porto iria sofrer alterações para custear a medida. Pedro Duarte garantiu que a gratuitidade tem cabimentação orçamental sem que essa mexida seja necessária, mas aproveitou para reafirmar que defende o aumento da taxa, atualmente nos 3 euros. Quer por razões de “justiça”, tendo em conta os “transtornos” que o turismo causa sobretudo no centro, mas também por uma questão de posicionamento: “O Porto tem que se posicionar exatamente ao mesmo nível que Lisboa. Estamos a fazer essa reflexão e é possível que venhamos a ter novidades no próximo ano”, disse.
Notícia atualizada às 14h52 do dia 14 de julho de 2026 com um acrescento sobre todos os locais onde é possível fazer o cartão Porto.
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