Obra em lançamento pela GLAC Edições se lança ao desafio de fornecer bússolas conceituais para orientar ações políticas numa sociedade cada vez mais dividida. As coordenadas: a experiência de movimentos sociais e novas lutas como o Breque dos Apps. Concorra a exemplares
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Em meio à fragmentação que divide trabalhadores na atualidade, como fazer uma política dos comuns?
Essa pergunta norteia a obra Atlas de Política Experimental, do grupo Subconjunto de Prática Teórica, que está em período de lançamento graças aos esforços da GLAC Edições.
Outras Palavras e GLAC Edições sortearão exemplares de Atlas de Política Experimental, de Subconjunto de Prática Teórica, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva pós-capitalista. O sorteio estará aberto para inscrições até a segunda-feira do dia 29/6, às 14h. Os membros da rede Outros Quinhentos receberão o formulário de participação via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso Apoia.se para ter acesso!
A resposta encontrada faz parte do título do volume: a Política Experimental. A palavra experimental não deve ser entendida como sinônimo de improviso, pois se baseia é uma rigorosa prática de “composição, percepção e interação com mundos sociais específicos” que busca “extrair, das próprias lutas já em curso, os elementos que permitem expandir o campo do politicamente pensável”.
O livro combina filosofia, antropologia, teoria social e investigação militante para mapear as condições e possibilidades da ação política contemporânea na esquerda, rejeitando fórmulas prontas ou programas rígidos.
Como todo Atlas, nesse a navegação é um mergulho no incerto. É lançando-se nesse mar de instabilidade, complexidade e fragmentação do mundo social contemporâneo que se dá a empreitada da obra.
O intuito, como ressalta o pesquisador Natan Oliveira no prefácio, é fornecer “instrumentos conceituais e políticos para orientar a ação em tempos de águas turbulentas”. Todavia, não como um conjunto de fórmulas a serem seguidas, mas como bússolas para orientação.
Aqui, os ponteiros e as direções são constituídos tanto da observação das práticas políticas ao longo do percurso histórico das lutas de esquerda e do movimento comunista, quanto da teoria de autores como o filósofo político japonês Kojin Karatani, o francês Alain Badiou e o soviético Alexander Bogdanov.
Karatani, um dos principais autores estudados pelo grupo idealizador do livro, define o capitalismo contemporâneo como um complexo Nação-Estado-Capital. Nessa estrutura, há três lógicas inseparáveis: a da reciprocidade (modo A, relativo a comunidades e nações), a da redistribuição e dominação (modo B, referente aos Estados) e a da dinâmica mercantil (modo C, próprio ao capital).
Já Badiou orienta com sua fenomenologia objetiva e Alexander Bogdanov com sua tectologia ou ciência da organização.
“essa tríade mostra que cada organização vê e age no mundo de maneira específica: um banco central enxerga a realidade de forma radicalmente distinta de um coletivo de artistas periféricos, e essa diferença não é apenas de perspectiva subjetiva, mas de estrutura objetiva de composição e capacidade de ação.
Ocupamos, portanto, uma posição que não é meramente subjetiva: é um conjunto de coordenadas objetivas — uma composição de relações sociais, institucionais e materiais que define o que se torna visível e quais operações são praticáveis”
Baseando-se nesses pensadores, o grupo examina como sujeitos coletivos se formam, como os mundos sociais se tornam legíveis e como intervenções políticas podem ser experimentadas em diferentes escalas.
Desse modo, o Atlas organiza sua proposta em torno de três eixos fundamentais: composição: como os sujeitos coletivos se formam a partir das forças sociais reais; inteligibilidade: como intervenções políticas concretas podem ser experimentadas e testadas em diferentes escalas; e interação: de que forma os mundos sociais e suas lógicas complexas tornam-se compreensíveis.
Composto por 280 páginas, o índice divide os ensaios e cartografias em quatro frentes principais: “Compasso”, que traz discussões sobre o ponto de vista comunista, tectologia e as ferramentas básicas de navegação; “Coordenadas”, que debate as dimensões da política, a materialidade dos mundos sociais, a natureza e as questões de justiça e responsabilidade interna na esquerda; “Mapas”, que analisa casos antropológicos, logísticos e de classificação social (como discussões inspiradas na obra de Louis Dumont e a logística na Mongólia); e, por fim, “Expedições”, que examina investigações militantes diretas em experimentos radicais, abordando dinâmicas organizacionais internas e a resistência de trabalhadores de plataformas, como as greves de entregadores de aplicativo no Brasil.
Com uma estrutura não linear e multivocal, o livro conta com a autoria de Allan M. Hillani, Enda O’Riordan, Gabriel Tupinambá, J Millie, Maikel da Silveira, Manu Singh, Mo Erec Stangl, Mohammad Reza Naderi, Rafael Saldanha, Renzo Barbe, Tiago Guidi, Victor Silva, Yasha Shulkin e Yuan Yao.
Em parceria com a GLAC edições, o Outras Palavras irá sortear exemplares de Atlas de Política Experimental, de Subconjunto de Prática Teórica, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva pós-capitalista. O sorteio estará aberto para inscrições até a segunda-feira do dia 29/6, às 14h. Os membros da rede Outros Quinhentos receberão o formulário de participação via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso Apoia.se para ter acesso!
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