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Tradição do tiro deixa solo contaminado na Suíça

Дата публикации: 18-08-2026 06:50:16

Símbolo da tradição militar e associativa suíça, os estandes de tiro deixaram um legado ambiental caro em várias regiões do país. Com a queda no número de clubes e a desativação de instalações, milhares de áreas contaminadas por chumbo e antimônio precisam ser descontaminadas até 2045. Domingo de tarde. No estande de tiro, todos estão prontos. Os primeiros disparos rompem o silêncio e ecoam pelas montanhas. Em um túnel, protegido por um talude de terra, alguns meninos abaixam os alvos, procuram o orifício do impacto da bala, cobrem-no com um adesivo e levantam novamente os alvos para indicar ao atirador, com uma pá indicadora, a pontuação obtida. Estamos na década de 1990, em Poschiavo, um vale de língua italiana no cantão dos Grisões. Naquela época, era comum assistir à missa das dez da manhã. Em seguida, às 13 horas, todos se encontravam no estande de tiro. Como em muitos vilarejos suíços, o domingo era dedicado à oração e à defesa nacional. Os homens praticavam o tiro, conforme ...

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Fuzil de assalto Um olhar sobre a 161.ª edição do «Rütlischuss», em novembro de 2024. Keystone / Philipp Schmidli

Símbolo da tradição militar e associativa suíça, os estandes de tiro deixaram um legado ambiental caro em várias regiões do país. Com a queda no número de clubes e a desativação de instalações, milhares de áreas contaminadas por chumbo e antimônio precisam ser descontaminadas até 2045.

Este conteúdo foi publicado em 18. agosto 2026 - 08:50

8 minutos

  • English

    Shooting in Switzerland: when a tradition leaves its mark

  • Deutsch

    Schiessen in der Schweiz: Eine Tradition hat ihre Spuren im Boden hinterlassen

  • Français

    Le tir en Suisse, ou quand une tradition laisse des traces dans le sol

  • Italiano

    Tiro in Svizzera, quando una tradizione lascia il segno nel terreno original

Domingo de tarde. No estande de tiro, todos estão prontos. Os primeiros disparos rompem o silêncio e ecoam pelas montanhas.

Em um túnel, protegido por um talude de terra, alguns meninos abaixam os alvos, procuram o orifício do impacto da bala, cobrem-no com um adesivo e levantam novamente os alvos para indicar ao atirador, com uma pá indicadora, a pontuação obtida. Estamos na década de 1990, em Poschiavo, um vale de língua italiana no cantão dos Grisões.

Naquela época, era comum assistir à missa das dez da manhã. Em seguida, às 13 horas, todos se encontravam no estande de tiro. Como em muitos vilarejos suíços, o domingo era dedicado à oração e à defesa nacional. Os homens praticavam o tiro, conforme haviam aprendido durante o serviço militar.

Quem ainda era jovem demais para empunhar o fuzil anotava as pontuações e ganhava alguns francos. Com esse dinheiro, abastecia sua mobilete para percorrer as estradas do vale.

Tradição única na Europa

“O tiro esportivo está profundamente enraizado na história da Suíça”, afirma o historiador Cedric Zbinden. “A força dessa tradição reside em suas duas vertentes: de um lado, existem as sociedades de tiro, que funcionam como ponto de encontro e espaço de convivência social. De outro, há o Exército de milícia, que apoiou essa prática durante décadas e contribuiu para estabelecê-la em praticamente todos os cantos do país.”

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Pessoas que disparam Mostrar mais

Diáspora suíça

Tiro, uma paixão sem fronteiras

Este conteúdo foi publicado em 29. jun 2026 A Festa Federal de Tiro 2026, em Coira, reuniu quase 130 suíços e suíças do exterior. Vindos de quatro continentes, eles mantêm no esporte um forte vínculo com o país de origem.

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A tradição suíça é praticamente única na Europa. “Também existem clubes de tiro na Alemanha, nos Países Baixos e na Áustria, mas em nenhum desses países eles têm o mesmo enraizamento social”, explica Zbinden. Na Alemanha, por exemplo, após a Segunda Guerra Mundial, os Aliados proibiram tanto os clubes de tiro quanto a posse de armas. Somente após a criação da República Federal da Alemanha eles voltaram a ser permitidos.

“Nos Países Baixos, os clubes são menos difundidos e a legislação sobre armas é mais restritiva; por isso, o tiro esportivo não constitui um hábito tão profundamente enraizado.”

Cidadão-soldado

Em 1848, com a fundação do Estado federal e a introdução do serviço militar obrigatório, o tiro esportivo passou a ter grande importância na sociedade suíça. “Três dos primeiros sete conselheiros federais foram presidentes da então Associação Suíça de Tiro, fundada em 1824”, afirma Zbinden. “Durante muito tempo, esse cargo foi um dos mais prestigiados do país.”

A obrigatoriedade da prática de tiro fora do serviço militar remonta, por sua vez, ao ano de 1874. No início do século 29, o Ministério suíço da Defesa estabeleceu que todo soldado deveria ser membro ativo de uma sociedade de tiro. “A partir desse momento, o tiro passou também a ser parte integrante da preparação militar. Isso reforçou o sentimento de ameaça que acompanhou a população suíça durante as duas guerras mundiais”, diz Zbinden.

Pessoas com uma bandeira Membros dos clubes de Seengen, Wiliberg, Staffelbach e Schlossrued no Torneio Federal de Tiro ao Alvo de 2007. Thomas Kern Ainda se pratica tiro, mas cada vez menos

Em 1986, o número de membros das sociedades de tiro atingiu seu auge, com quase 590 mil associados, o que correspondia a pouco menos de um em cada dez suíços. A partir das décadas de 1970 e 1980, a imagem do cidadão-soldado começou a apresentar suas primeiras fissuras.

“Com o fim da Guerra Fria, muitas pessoas deixaram de considerar o tiro esportivo uma parte integrante da defesa nacional”, continua Zbinden. Essa transformação social também se refletiu no número de membros das sociedades de tiro.

Após a decisão do Conselho Federal (n.r.: o corpo de sete ministros que governa o país e forma o Poder Executivo), em 1996, de abolir a obrigatoriedade de filiação a uma sociedade de tiro, o número de membros ativos passou a registrar um declínio constante. Em 1997, havia pouco menos de 230 mil associados; no ano passado, foram contabilizados cerca de 130 mil, distribuídos por aproximadamente 2.500 clubes filiados à Federação Suíça de Tiro Esportivo.

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Un homme manipule un pistolet sous le contrôle d un autre Mostrar mais “O tiro é um dos esportes mais populares da Suíça”

Este conteúdo foi publicado em 08. mai 2019 Encontrar esse clube de tiro em Genebra não é fácil. O maior campo subterrâneo de tiro do país está instalado em um edifício moderno. Na entrada estão cartazes chamativos de uma academia de ginástica e da loja de bicicletas. Já o “Swiss Gun Center” se anuncia com uma plaqueta bem discreta. O regulamento do “Swiss…

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Segundo Zbinden, essa evolução também reflete a mudança nos hábitos de lazer, sobretudo entre as gerações mais jovens, e, de forma mais ampla, a perda de importância das atividades associativas no cotidiano.

Herança indesejada e onerosa

Ao longo do tempo, estandes de tiro foram construídos em toda a Suíça. Com as mudanças sociais e as novas exigências legais relacionadas à segurança, às emissões sonoras e à proteção ambiental, muitas dessas instalações foram desativadas.

Foi o que aconteceu também em Poschiavo, onde, até meados da década de 1990, existiam quatro estandes destinados ao tiro à distância de 300 metros. Assim como ocorreu em muitas comunas suíças, também para Poschiavo os estandes de tiro também se transformaram em uma herança onerosa e indesejada.

O principal problema são os coletores de projéteis e as áreas ao seu redor. Décadas de atividade de tiro deixaram metais pesados no solo: sobretudo chumbo e, em menor quantidade, antimônio.

“O potencial de contaminação pode chegar a várias toneladas por local”, afirma Lars Schudel, geógrafo e responsável por projetos na área de locais contaminados da empresa Ecosens. “A descontaminação dessas áreas é um processo complexo e economicamente oneroso: para um único estande de tiro, os custos podem alcançar várias centenas de milhares de francos.”

O que isso significa na prática? A descontaminação de um estande de tiro no município de Poschiavo custou cerca de 430 mil francos, dos quais 290 mil foram financiados pelo cantão e pela Confederação. Os 140 mil francos restantes foram custeados pelo orçamento municipal.

Escudo Um cartaz no antigo campo de tiro em Zurique-Manegg alerta para a presença de chumbo, fevereiro de 2011. Gaetan Bally / Keystone

“A descontaminação consiste, em primeiro lugar, na remoção do solo contaminado”, explica Schudel. “A terra é retirada em camadas até que as concentrações de chumbo e antimônio estejam dentro dos limites estabelecidos. O objetivo da descontaminação varia de acordo com a proteção do solo, a proximidade de aquíferos, cursos d’água ou outros elementos sensíveis, bem como com o uso previsto para a área após a conclusão da intervenção.”

De acordo com os cadastros cantonais de áreas contaminadas, cerca de quatro mil locais onde anteriormente se praticava tiro encontram-se contaminados. Até 2025, 1.200 locais haviam sido descontaminados; até o final de 2045, todas as intervenções deverão estar concluídas, também porque as contribuições federais destinadas às descontaminações deixarão de existir.

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Política suíça

Os suíços e suas armas

Este conteúdo foi publicado em 10. jan 2011 O tiro de campanha como uma festa popular, o fuzil no porão, o estande como lugar convivial: as armas são estreitamente ligadas às tradições suíças. Para grande parte da população, elas evocam mais as batalhas do passado do que as guerras, os assassinatos ou os suicídios do presente. (Redação de imagens: Christoph Balsiger, swissinfo.ch)

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Em Poschiavo, os disparos já não ecoam mais pelas montanhas. Seu eco repousa no solo e conta a outra face da tradição: a de um problema ambiental.

Para atrair novos praticantes, a Federação Suíça de Tiro Esportivo (SSV, na sigla em alemão) procura revitalizar o tiro esportivo. Para isso, aposta em modalidades mais dinâmicas, como o Target Sprint: uma combinação de corrida de média distância – normalmente em percursos de 400 metros – com tiro rápido utilizando carabina de ar comprimido. Na avaliação da federação, essa modalidade pode tornar o tiro esportivo mais atraente para crianças, adolescentes e jovens adultos.

Além disso, a SSV lançou a Swiss Shooting RoadshowLink externo: um trailer equipado com quatro instalações de tiro a laser, que percorreu dez cidades suíças em 2024 e 2025. Em locais de grande circulação, adolescentes e adultos puderam experimentar o tiro esportivo sob orientação especializada, em um ambiente seguro e sem o uso de munição real.

Edição: Zeno Zoccatelli

Adaptação: Flávia C. Nepomuceno dos Santos

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